Religião e Fé são sinônimos? 4a parte

 In Momento de Reflexão

RELIGIÃO E FÉ SÃO SINÔNIMOS?

4ª parte

 

Cá estamos nós para mais uma conversa, leitor amigo!  Paramos, na essência, no que Cristo havia dito a respeito de “dar a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”.  Foi do que tratamos no penúltimo parágrafo do artigo anterior.

Como podemos fazer para ter informações mais acuradas a respeito desse homem, tão controverso e enigmático?  Em 1947, um auxílio precioso surgiu.  A descoberta dos Manuscritos do Mar Morto, em Qumran.  Existe a suposição que os essênios foram os responsáveis por essa preservação. Também os chamados Evangelhos Apócrifos foram descobertos em Nag Hammadi.  A palavra ‘apócrifo’ tem o sentido de algo que é oculto ou que é falso. Estes Evangelhos receberam tal nome porque não faziam parte da Bíblia e, se não faziam, não poderiam nunca ser considerados como idôneos. Foram encontrados apenas fragmentos deles porque houve um bispo que obedeceu o que foi determinado pelo Concílio de Nicéia, que determinava que documentos ou manuscritos do início do Cristianismo fossem sumariamente destruídos.  Esta decisão se baseava no fato de que a doutrina católica se estabelecia e precisava “firmar território”. Entretanto, monges que vivam às margens do rio Nilo perceberam que, ali, havia um precioso tesouro e não destruíram.  Salvaram boa parte e guardaram em urnas, dentro de grutas na base de um penhasco. Um camponês, em 1945, brincava por ali e as encontrou. Julgou que se tratava de um tesouro e quebrou uma delas. Só encontrou papiros e os levou para sua mãe, que chegou a usar alguns deles para acender o fogo e aquecer a família, cerca de 1500 anos depois de terem sido guardados! Como os manuscritos era redigidos na língua copta (antiga língua egípcia), foram levados para o Museu Copta do Cairo e, posteriormente, foram remetidos para o Instituto Jung, de Zürich.

A igreja católica se rebelou contra o impacto que essas duas descobertas causaram. Jamais admitiram que havia documentos escritos por autores sagrados.  Atualmente, a igreja reconhece poucos livros, como os Evangelhos de Tiago, Mateus, Pedro e poucos outros. Se considerarmos que são 112 livros, alguns de suma importância, como os Evangelhos de Maria Madalena, Tomé e Felipe, não se pode conceber que critérios levaram a igreja católica, que sempre alegou ter “autoridade divina”, não reconhecesse todos os livros.

A partir das descobertas citadas, descobriu-se uma figura de Jesus mais humana.  E isso é cristalino.  É a partir de tais estudos que se tomou ciência de que Jesus se casou, teve filhos, pode não ter morrido na cruz, tinha uma personalidade muito forte e voluntariosa. Na realidade, uma personalidade bastante ariana, o que corroboraria a hipótese de seu nascimento no final de março.

E foi possível determinar a grande diferença entre fé e religião.  A religião se prende a determinados dogmas, escritos ou não, que visam “fidelizar” uma pessoa, com suas dores e fragilidades a um determinado esquema de procedimentos. E, dentre tais procedimentos, está o lado pecuniário. Jesus mostrou que não era esse o caminho ideal ao expulsar os vendilhões do templo. Foi Sua humanidade que levou-nos a perceber Sua santidade. Ele levou Seu exemplo aos mais humildes, a determinados setores romanos e se manteve fiel à Fé que tinha em Seu Pai, até no momento de Sua morte.

Sua atitude foi a de mostrar que a fé não está presa a qualquer religião preestabelecida. Ela vem de dentro, pronta para interagir com a centelha divina que anima o ser humano, que o faz viver e que o remete a perceber que todos somos irmãos. Viemos do mesmo lugar e para lá retornaremos.  Simples.  Claro.  Óbvio.

É claro que há muito por ser descoberto sobre a personalidade fascinante que foi o ser humano Jesus.  O Cristo surge em nossos corações pelo exemplo dado e o convite que faz a todos nós, através do “Pai Nosso”, a empreender uma jornada rumo ao conhecimento pessoal e ao de Deus em nós, pela Fé.

Assim sendo, caro amigo leitor, preferi mostrar, de forma mais sintética, que religião e fé são, praticamente, palavras antônimas. A religião acorrenta as pessoas a normas e cânones, a rituais e a permissões e a proibições.  Já a fé é libertadora.  Ela faz com que a pessoa perceba que tem toda a liberdade para fazer o que desejar e, se seu coração estiver imbuído da FÉ que constrói, ela trilhará esse caminho.  Jesus fez Suas escolhas baseado na FÉ.  Viveu, lutou e morreu por ela.

Creio que é por este motivo que Ele se tornou a personalidade mais fascinante que já existiu.  Fez de Sua vida e de Sua morte  o maior exemplo para todos nós.  Se somos todos filhos de Deus, por que não aprendemos, com Jesus, a trilhar o caminho do amor, da paz, da tolerância, da compaixão, da solidariedade e nos tornamos, verdadeiramente, irmãos?

 

 

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