Religião e fé são sinônimos? – 2a parte

 In Momento de Reflexão

 

“Jesus veio para destruir as teses da religiosidade, mas algumas religiões insistem em criar teses que ferem a Sua conduta.”

Lanne Garcez

 

“O verdadeiro sábio não discute normas e religiões. Aplica-as. Ensina demonstrando. Aprende vivendo-as. E morre aprendendo.”

Alexsandra Zulpo

 

”As Religiões se tornaram um ‘Palco das Vaidades’ de quem as praticam”

Luciano Costa

 

Como falamos anteriormente, leitor amigo, havia o culto à Natureza e suas formas e a vários deuses, que explicavam os fenômenos que o homem não conseguia compreender.

Com o avanço rudimentar do conhecimento, algumas explicações começaram a surgir e os deuses começaram a não mais fazer tanto sentido.  Alguma coisa tinha que ordenar o que se via e se percebia, com regularidade.  A observação das estrelas e dos fenômenos da Natureza conduziu a uma quebra dos paradigmas que eram aceitos anteriormente.

O povo judeu foi o primeiro a conceber a existência de uma única divindade, que explicaria a unicidade de tudo o que existe.  Dos fenômenos climáticos, das estações, dos fenômenos naturais, das estações, das estrelas, do sol, da lua.  E Abraão foi aquele que disse que ele apenas adorava o Deus vivo e que havia falado com Ele.  Era natural de Ur, na Caldeia.  Ele disse que Deus lhe havia prometido a terra de Canaã, para ele e seus descendentes. Depois de percorrerem muitas cidades e serem nômades, decidiram se fixar na cidade de Sodoma, muito famosa por sua licenciosidade.   Abraão  tinha uma imensa tristeza porque, de seu casamento com Sara, não teve descendentes. Ele, então, disse a seu povo que Deus lhe disse que teria muitos descendentes e, por isso, uniu-se à sua escrava Agar e ela deu à luz Ismael.  Aos cem anos, Sara foi mãe de Isaac. E Abraão, novamente, conta a seu povo que Deus o encarregou de matar o filho que havia nascido de seu casamento.  E, levando o filho a um monte, chamado Moriá, Deus lhe teria ordenado o não sacrifício do filho, por sua obediência ao que Ele havia determinado e o troca por um cordeiro. E este exemplo cego à fé em Deus o tornou o primeiro patriarca que a Bíblia conta e ali nascia a religião.  E todo Antigo Testamento vai basear a fé em Deus em submissão e obediência cega ao que era determinado pelos profetas.

Começa a crença na vinda de um Messias, que libertaria o povo judeu de ser errante e ter uma terra que fosse apenas sua.  E o cordeiro passa a ser o símbolo desse Messias prometido,  que estaria ligado a Abraão.   Até ali, não se falava em FÉ,  mas OBEDIÊNCIA.  Deus devia ser obedecido cegamente, através das palavras dos Patriarcas.  Em todo o Antigo Testamente, as referências à vinda de um Messias salvador são muito claras, sobretudo nas palavras dos profetas.

João fala de um Templo,  que seria a morada desse Deus e seu local para adoração.

As regras e convenções estavam criadas.  Faltava que se criassem os sacerdotes que seriam a autoridade máxima para a conexão com esse Deus distante, único,  mas que era inacessível para os simples mortais.  Portanto,  os sacerdotes passaram a ser os mediadores entre o Deus que devia ser adorado e temido e os mortais falhos e pecadores.

É neste momento que Fé e Religião se separam. As religiões começaram a atender necessidades materiais e passaram a cobrar por tudo aquilo que viessem a fazer em prol de seus fiéis e até pela intermediação dos sacerdotes com o Deus único, que só aquela determinada religião tinha o privilégio de conhecer.  Todas as orientações para agradar a Deus partiam dos sacerdotes e, gradualmente, as religiões foram se tornando um comércio, uma vez que o mediador entre Deus e os homens era o sacerdote, aquele que dominava a leitura e podia conversar com Deus.

A escrita foi o grande motor para o domínio das religiões.  É claro que sempre houve formas de registros de fatos,  como a pintura rupestre,  os nós  babilônicos que registravam vendas feitas, a escrita cuneiforme suméria e outras escritas baseadas em desenhos ou sons.   O avanço das sociedades levou ao registro de fatos comerciais, sociais e estava restrito a uma elite.  Essa elite era a classe sacerdotal e a dos governantes.

Na Jerusalém ocupada por Roma, a classe sacerdotal ganha mais e mais prestígio.  Paralelamente, na Galiléia, grupos começam a se formar.  E falam de um Messias que viria libertar o povo judeu do jugo romano. Roma, para manter seu fausto e suas constantes guerras, precisa aumentar os impostos e o jugo vai se tornando cada vez mais pesado para os povos conquistados, eminentemente os da Judéia, que eram os mais pobres.

A ideia do libertador ungido por Deus, o Messias (hebraico) ou o Cristo (grego) vai ganhando força.  E João Batista, primo de Jesus, nasceu de pais já idosos e optou por ter uma vida nômade de pregações pelo deserto da Judéia. Ele falava sobre arrependimento de falhas cometidas e transformação das vidas para algo espiritual.  Foi chamado de Messias e refutou veementemente essa denominação.  Começou, posteriormente, a batizar as pessoas no Rio Jordão, para selar a transformação que pretendiam dar a suas vidas. Quando regressava do deserto, onde Jesus não foi tentado pelo demônio, mas teve visões magníficas, encontrou João Batista e pediu para ser batizado. Aquele ritual marca a mudança na vida de um desconhecido que vinha com uma grande missão de amor e paz.  No ano 27 dC, João Batista foi morto por ser profundamente incômodo a Roma.  Uma trama é montada para que Roma não fosse responsabilizada por sua morte e é a partir daí que a figura de Jesus começa a ganhar um destaque muito forte como o Messias, o grande libertador do povo judeu.

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