O que a COVID representa?

 In Momento de Reflexão

O substantivo pandemia tem origem na Grécia.  Platão empregou-a pela primeira vez, quando se referiu a alguma situação que poderia afetar toda uma população.  É claro que o mundo conhecido, à sua época era infinitamente mais restrito do que o é, atualmente.

Não se pode ter a ilusão de que pandemias ocorrem e desaparecem magicamente.  Isto é o oposto da realidade.  As primeiras epidemias registradas, ainda circulam: sarampo, febre amarela, malária…  O planeta se tornou um ovo.  Viagens e mudanças de um país para outro podem desencadeá-la.  Se você vive num determinado país, alterações de clima e meio ambiente podem levar uma pessoa a apresentar fragilidades que jamais apresentou por não terem sido expostas e elas.

Toda pandemia deixa um legado quando é controlada (jamais extinta): um dos mais importantes é a pesquisa que se acelera para encontrar vacinas que a controlem e uma ampliação do espectro das outras, já existentes. Vamos relembrar algumas, as mais marcantes:  a peste bubônica, no século XIV,  dizimou mais de um terço de toda a população existente na Europa; trouxe escassez de mão de obra, o que foi determinante para o fim do regime feudal.    A varíola, que surgiu no fim do século XV matou tanta gente, que sobrou cerca de 10%, apenas, da população mundial. Outras doenças mortais incluíam sarampo, gripe, malária, difteria, tifo e cólera.  Alguns autores dizem que este período foi tão terrível que acabou com muitas áreas que vinham sendo cultivadas.  O frio aumentou absurdamente e chegou a causar o que chamaram de “Uma pequena Era do Gelo”.

A febre amarela surgiu no Haiti e tirou os franceses da ilha.  Nas batalhas, eram vitoriosos.  A febre matou cerca der 50 mil oficiais, médicos, soldados e calcula-se que, no máximo, 3 mil soldados retornaram à França.  Isso ocorreu por volta de 1801.

A febre bovina  matou animais no final do século XIX.  Tudo foi afetado.  A agricultura estava intimamente ligada ao uso dos animais como força de trabalho para o cultivo de subsistência.  Como consequência direta, a Europa ocupou praticamente todo o continente africano,  totalmente arrasado pela fome.

As demais pandemias são mais recentes e delas estamos bem lembrados.  Foram terríveis.  Todas estão ainda bem vivas, em maior ou menor escala.   A COVID-19 é a primeira da era digital plena.  O problema é de solução muito difícil, já que outras situações se mesclam à resolução da crise humanitária.  A política vê momentos preciosos para obter ganhos.   O Brasil pagará um preço muito alto por não ter aproveitado o momento de grande prosperidade que teve, há muitos anos.  Ou seja,  investir no futuro é pensar em como viabilizar um país para enfrentar toda e qualquer adversidade.

As aberturas para o comércio internacional que estavam prontas a prosperar,  devem se retrair,  é claro,  porque a desconfiança passará a tomar conta das relações internacionais, em todos os níveis, muito provavelmente.   Por outro lado,  verificou-se o que não se via há mito tempo:  o ser humano começou a se voltar para seu próximo,  sentir-se responsável porque estamos todos no mesmo barco:  ou nos damos as mãos ou naufragamos.  Creio que seja a redescoberta da Humanidade dentro de cada um.

Nunca se viu uma pane econômica de tal monta.  Blackout total.  Tudo bem e como religar todas essas engrenagens?  Quanto tempo será necessário para que os níveis anteriores se restabeleçam em toda a escala econômica?    Provavelmente, o ambiente empresarial poderá ser obrigado a mudar.  Aquilo que se iniciou agora deverá ter continuidade.  O “home office” pode se tornar a regra.

Temos visto, também, uma tendência colaborativa entre pessoas e empresas.  Mais um ponto que pode se tornar a regra.   Li, num artigo,  que o “home Office” pode evoluir para um outro tipo de local de trabalho,  o  “Anywhere working”.  Ou seja, produtividade e legislações trabalhistas tendem a ter uma mudança imensa.  Só no que se vai economizar em tempo de deslocamento para a empresa e volta para casa será absurdo, assim como a redução do stress, fator preponderante para uma baixa na produtividade.  Lucros, felicidade no trabalho, empenho,  tudo tende a se tornar mais consequente.

Ainda é impossível prever que rumo o mundo pode tomar.  Se você, caro leitor, leu meu artigo “O ano crucial de 2020”, se lembra que eu o termino dizendo que o mundo que conhecemos hoje não será o que veremos daqui a uns poucos anos.   Para sobreviver, muita coisa foi reinventada ou adaptada e tudo isso pode se tornar fator permanente,  como  o delivery.  E aí,  não seria só de alimentação,  mas poderia passar a ser de toda e qualquer coisa.

E minha esperança mais cara a meu coração é que este novo mundo que se desenha tenha contornos humanos, colaborativos,  que busquem inserção social em todos os níveis .  E, como diz um samba enredo,  “sonhar não custa nada”.

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