A maiêutica socrática e a atualidade

 In Momento de Reflexão

A MAIÊUTICA SOCRÁTICA E A ATUALIDADE

Só sei que nada sei.

“Conhece-te a ti mesmo, torna-te consciente de tua ignorância e serás sábio.”

“Transforme as pedras em que você tropeça nas pedras de sua escada.”

“A sabedoria começa na reflexão.”

“Não sou nem ateniense, nem grego, mas sim um cidadão do mundo.”

“É costume de um tolo, quando erra, queixar-se do outro. É costume do sábio

queixar-se  de si mesmo.”

“Muitas vezes, observando a quantidade de objetos à venda, (Sócrates) dizia a si mesmo: ‘Quantas coisas me são desnecessárias!’.”

“Eu não posso ensinar nada a ninguém, eu só posso fazê-lo pensar.”

Pensamentos de Sócrates

Você deve estar se perguntando o porquê, desta vez, de tantas citações.  São de Sócrates mesmo?  São frases atribuídas a ele, já que ele mesmo não deixou nada escrito.   Mas que são perfeitamente consoantes com seu modo de pensar.

Seu método era a Maiêutica.  A Maiêutica era o parto.  Ele se inspirou na profissão de sua mãe. Fenareta, para criar seu método.  Ele diz, no Diálogo Teeteto que, assim como sua mãe dava à luz crianças, ele faria com que as pessoas dessem à luz a verdade.

E como era seu processo?  A Maiêutica Socrática tinha como base inicial a reflexão e o desenvolvimento da questão através do diálogo; Sócrates propunha as perguntas e o discípulo lhe dava respostas e ele ia indagando até que a pessoa chegasse, por sua própria reflexão, às respostas que buscava.  Isso porque, para Sócrates, todas as ideias e respostas estão dentro de nós.  Basta que as busquemos, inicialmente, através da dúvida e prossigamos, evoluindo no raciocínio, sempre através da dúvida, para que se chegue à verdade buscada.  Para Sócrates, bastava que a pessoa estivesse imbuída da vontade de chegar ao conhecimento para que ela o conseguisse.

Esse caminho proposto por Sócrates baseia-se, além da dúvida, no autoconhecimento. “Gnote te auton” (Conhece-te a ti mesmo), o dístico que encimava o Oráculo de Delfos, passou a ser sua máxima de vida e o ponto fundamental para que o conhecimento pudesse ser conseguido.

“-Ora, mas que coisa antiga! Você acha que a gente pode, hoje, ficar parado no meio do nada, pensando, pensando, pensando?  Claro que não, ora!!!  Tudo é muito acelerado.  Mal se tem tempo pra saber que horas são,  que dirá pensar sobre o mundo e etc. e tal!”

Você está equivocado, meu bem, você tem muito mais tempo do que imagina porque fica horas twittando ou “facebookando” e esses sites de relacionamento são grandes ferramentas para que você comece a exercitar sua grande virtude:  a prática do Bem.

Sócrates, bem antes de Cristo, já dizia que nosso papel na sociedade vai muito além do lugar onde nascemos: somos cidadãos do mundo, devemos buscar o bem para todos em todos os lugares, onde quer que estejamos.  Essa é nossa verdadeira missão.  Mas como fazemos isso?  De que forma podemos progredir para alcançar todos os rincões da Terra ou alguns, pelo menos?   Só existe um meio, meu bem: é o diálogo.  Mas não é aquele diálogo em que eu quero estar sempre certo e você sempre errado.  Só é proveitoso se nós nos predispusermos a nos entender, a ver o que é o melhor para todos.

E aí surge o lado mais interessante:  não importa se você é daqui ou dali,  deste lado da rua ou do outro. O mais importante é que você esteja imbuído do melhor propósito: o de servir e ajudar sua rua, seu bairro, sua cidade, seu país, o mundo.  Não há grandes diferenças nas formas como você pode fazer isso: o diálogo é a sempre a palavra chave.  Nunca se consegue nada sem que se saiba dialogar, interagir para poder se aperfeiçoar e mudar o que for necessário.

Encontramos aqui outro ponto muito delicado da atualidade:  todos querem falar e ter razão, mas poucos se predispõem a ouvir e a admitir possíveis falhas.   Cada qual é o detentor da grande verdade e perde a chance de conhecer outras grandes verdades que poderiam complementar ou ( quem sabe?) modificar aquela que considerava ser a sua verdade.

Quando nos abrimos para a reflexão e para o conhecimento vindo de todos os pontos – de uma planta, de uma criança, de um inseto, de um idoso – começamos a galgar os primeiros degraus da sabedoria.

O grande gancho da atualidade deve ser esse. Ninguém pode ser sábio sozinho.  Para que o seja, necessita conhecer profundamente sempre cada vez mais: e o diálogo entra como papel preponderante nisso. Reconhecer que somos cada vez mais ignorantes em tantas e tantas coisas que estão aceleradíssimas e que nos é difícil acompanhar, é nosso grande mérito.  Dialogar para poder conhecer e ampliar nossos horizontes e nossa obrigação. Reconhecer no outro um grande interlocutor que nos ajudará a conhecer mais é profunda sabedoria.

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