A Covid convida

 In Momento de Reflexão

“Teremos de mudar a forma como vivemos neste planeta. Se não o fizermos, vamos pagar um preço muito alto.”

Pandemia

 

“Ocasionalmente, surge uma variante de gripe que representa uma ameaça existencial para nós enquanto espécie.”

Pandemia

 

O mundo parou.  Vinha a milhares de quilômetros por hora e bastou um vírus para mostrar ao ser humano que ele nada é.  E pensa muito ser alguma coisa de importante.

Não é relevante saber quem ou o que  foi o instrumento que nos fez parar e ver os demais como o que são: seres humanos,  idênticos a nós, com as fraquezas e fortalezas que nos fazem avançar.  Sim, sim…. A fraqueza nos faz perceber que não somos tudo o que julgamos ser. A materialidade nos jogou para uma estrada inicialmente maravilhosa, mas que foi se mostrando tortuosa, cheia de armadilhas e dificuldades, onde alguns julgaram necessário ser mais fortes e melhores que os demais à custa de comportamentos e atitudes inomináveis.

E chegamos ao ponto lamentável no qual nos encontramos.  Já conversamos sobre o fato de que fomos criados pelo e para amor.  E estamos no lado oposto.  Se não foi este o propósito de nossa criação, as coisas precisam voltar para os trilhos.  E de uma forma contundente, sem dúvida.  Para isso, um instrumento era necessário.

Impensável uma 3ª Guerra Mundial nos padrões que as guerras sempre foram conhecidas.  Seria acabar com o mundo com dois toques.  Também sabemos que a toda ação cabe uma reação, de igual intensidade, em sentido contrário.   Quem, senão a China, que foi o país o mais humilhado tanto interna quanto externamente durante os dois últimos séculos, poderia ser o instrumento para isso?

Observe que ela se fechou em si mesma, depois de muito maltratada. Mas foi se fortalecendo internamente, com um propósito muito claro:  ir devagar para ir muito longe.  Este longe levou cerca de 200 anos.  E não se pode dizer que não sabem o que fazem.  Claro que sim!  Até hoje,  o maior estrategista militar é o filósofo chinês Sunzi; ou Sun Tzu.  Nasceu em 544 a.C. e morreu em 496 a.C.  É dele a obra “A arte da guerra”.  Até hoje,  obra lida e respeitadíssima em todos os meios acadêmicos.

Desde a Antiguidade, este país foi uma potência e, como as demais civilizações antigas, tinha em seu governante, a figura de um deus.  Era o Império do Meio, unificado com os demais impérios pelo pagamento de tributos e não por uma relação “diplomática”.  Ela se bastava e não sentia a mínima necessidade de se relacionar com as demais sociedades.

Algo a fez mudar.  Profundamente. A Guerra do Ópio.  Devastou um país cheio de orgulho de quem era e de sua capacidade.  Porém, isolado do restante do mundo, por considerar todos os demais povos como sendo “bárbaros”, já que a cultura chinesa não interessava a nenhum país.  E a realidade caiu, como uma bomba, sobre todos os seus valores.  O “Século da Humilhação”, como chamaram esse período, começou em 1839 e foi  até 1939.  E, para que a China não sucumbisse completamente às potências europeias, tiveram que ceder Hong Kong, grande região portuária, à Inglaterra. As guerras levaram o povo chinês à miséria completa. Desta forma, deixaram de ser a maior potência conhecida pelo mundo a um país miserável, a quem só restava o orgulho do passado, plasmando um horror incontido ao Ocidente.

Os países europeus e o Japão passaram a visitar a Muralha da China como um ponto turístico, como a Tour Eiffel e tantos outros, ignorando o que foi construir aquela fortaleza gigantesca, num período tão pobre de suprimentos e de meios de locomoção. Foram 2000 anos de construção e um comprimento de 21.000km! E pisaram ainda mais no orgulho do país já combalido.

Entre 1958 e 1961, outra bomba se abate sobre o povo chinês: a fome. O país acordava, tardiamente, para a indústria e as decisões econômicas absurdas daquela época conduziram o país a uma situação de fome sem precedentes. A reviravolta acontece em 1978, quando Deng Xiaoping decide que a saída é ter mão de obra barata e produção em grande escala.   E é o que, de fato, acontece, até que a China atinge 10% de toda a produção global.  As etiquetas “Made in China” passam a se multiplicar em quase todos os produtos, com um dado significativo: eram baratos e duravam muito pouco.  E que importância poderia ter isso?  Comprava-se outro,  tão baratinho!   O descartável começa tomar conta do planeta.  Era mais barato comprar outra coisa do que consertar.  E o lixo começou a se multiplicar.

Era, agora, o momento do maciço investimento em tecnologia.  O processo foi iniciado em 2013, quando o presidente Xi Jinping decide que a China se tornará a maior potência mundial; e se dá a data limite de 2030.

Estamos em 2020.  Faltam 10 anos para chegar a data que a China se deu para liderar o mundo.  E passa a agir na contramão de todos os demais países, que trancam seus dados de usuários a 700 chaves, a China os compartilha entre todas as suas empresas. Isto significa que não existe vida privada.  E a tecnologia avança a passos cada vez mais largos e seguros, não deixando espaço para o cidadão comum.  A tecnologia facial o impede de fazer qualquer coisa que o governo não saiba.

Assim,  diria que a Covid nos convida a repensar nossos valores,  tão transitórios e carcomidos pelo orgulho,  insensatez e voracidade.  Foi um país que começou tirando,  efetivamente, quase 1 bilhão de pessoas da linha da pobreza, com todas as críticas possíveis.  Mas tirou.

A Internet a tornou visível.   Seu regime de trabalho absurdo, 9 horas por dia, 6 dias por semana,  a política do filho único e a ação dos avós na educação das crianças a conduziu a patamares invejáveis de desenvolvimento. Um problema as empresas chinesas enfrentam.  Sua aceitação no mundo ocidental.   E trabalham com o grande segredo das empresas tais quais as conhecemos:  vendem sonhos.   Não é à toa que os chineses viajam absurdamente.  Querem ver coisas com as quais sempre sonharam e jamais poderiam ter acesso.  E hoje, podem.

Há muito e muito mais a ser dito.  Entretanto, estamos falando sobre a que a COVID nos convida.  E nada tem a ver com a doença.  Há, para mim, um acerto de contas com o Ocidente.  Ela jamais quis dominar o mundo.  Não é seu perfil.  É oriental e tem outros valores. O viés de mobilidade, viagens, deslocamentos, cala muito fundo ao coração desse povo. Portanto, creio que a covid-19 vai implementar conexões de todas as formas.  Desde as físicas, como trens, portos, aeroportos,  até a comunicação virtual que poderá ser extremamente rápida,  mas poderá trazer um leque de desvantagens, tais como controles em diversas esferas.

Para terminar este texto, longo demais pela complexidade que envolve,  diria que estamos num cenário extremamente complexo.  O Ocidente se vê diante de uma forma de pensar que não é a sua.  As armas de combate são muito diferentes.  Os valores, idem.   O problema não é apenas a pandemia questionável, para muitos.  É o “day after” É o que virá depois disso.  Quando escrevi sobre o que nos reservava o ano de 2020,  você, caro amigo leitor,  deve estar lembrado de que disse que o mundo,  tal como o conhecemos,  não seria mais o mesmo.  E ele vai mudar demais, por uma questão de sobrevivência, daqui para a frente.

Os demais capítulos, emocionantes,  estão por vir.  A tecnologia se tornará cada vez mais galopante.  E, como tudo tem 2 faces, a cultura geral terá uma importância vital. E a Filosofia, a História Geral,  estarão nesta linha de frente.  Na análise abrangente dos fatos,  na percepção de que a História se repete; sob outros moldes, mas se repete.

E vamos vestir nossas melhores leituras, nossos melhores raciocínios, nossas capacidades de percepção para dar as boas vindas a esse novo tempo.  Ah!  E não nos esqueçamos de mudar junto com ele!

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